Como eu tenho me organizado


Vocês já devem saber que eu gosto de organização. Acompanho blogs sobre o assunto há anos, estudei o GTD (e até ensinei para o pessoal no trabalho), testei inúmeras ferramentas. Mas a sensação de que minha vida está minimamente em ordem só vem surgindo agora. Então, depois de muitas frustrações e alguns acertos, resolvi compartilhar minhas últimas descobertas com vocês - quem sabe pegam um atalho e fazem um caminho mais curto que o meu.

Take it easy
Não, você não vai organizar sua rotina da noite para o dia. E, por maior que seja esse clichê, parece que insistimos em enxergar uma "mágica". Esse é o problema: a expectativa alta demais. Já perdi muitas noites de sono, mal por sentir uma necessidade enorme de me organizar e não saber o que fazer. E, veja, eu sabia como começar. O ritmo é que estava errado. 

A partir do momento em que deixei de lado o "desespero" de ver os resultados, percebi qual é o meu tempo para fazer as coisas e parei de me cobrar tanto. Porque (desculpa destruir seus sonhos) uma agenda toda organizada não te dá mais energia para fazer as coisas: isso tem a ver com as suas atividades e a alimentação diária - mas fica para outro post. 

Menos (ainda) é mais
Verdade seja dita, metade do que eu achava que precisava fazer eram apenas vontades temporárias que, quando descartadas, tiraram um peso enorme das minhas costas. Outra coisa que provavelmente me ajudou foi que eu não tentei implementar um sistema completamente novo em uma ferramenta completamente nova - fui testando aos poucos no trabalho e, vendo que funcionava, levei para a minha vida pessoal. Como disse antes, já testei quase tudo que é popular nesse contexto, mas perdia tempo demais explorando recursos, criando (as benditas) expectativas e "planejando" como seria meu sistema. 

Quando cansei disso (e coincidiu com uma fase de muitas mudanças e total readaptação da minha vida), resolvi confiar mais em mim mesma. Eu dou conta do que preciso fazer - só preciso teorizar menos e praticar mais. Eu não preciso de 30 mil categorias, 5 aplicativos, vários despertadores e projetos que nem são tão legais assim. E não acho que isso seja errado de forma alguma: minha vida é que não requer uma "estrutura" tão complexa. Tenho uma rotina simples (e gosto desse slow living), cuido da casa e pago minhas contas sozinha, escolho absolutamente tudo o que vou fazer (com exceção do trabalho, que tem um horário fixo) - diferente de alguém com filhos, por exemplo. Para que perder tempo tentando me adaptar a um sistema X em vez de adaptar o sistema a mim? Quanto mais simples for o seu método, melhor.

Finalmente, as ferramentas
Ok, chegamos à parte em que a maioria deve estar de fato interessada: o sistema em si. Vou mostrar o meu de forma bem geral e quem tiver dúvidas pergunta nos comentários, combinado? Mas, sinceramente, não aconselho a fazerem como eu faço: a dinâmica tem que ser individual.

<viagem>
Imagine que minha vida seja um bolo de laranja (não é meu preferido, mas estou com vontade de comer agora) e, a sua, uma tigela de brigadeiro. As embalagens não serão as mesmas. Então, é preciso que cada um monte a sua "caixa".
</viagem>

Para organizar tarefas, eu uso o Trello no computador e no celular. Criei um board "To do" e uma lista para cada dia da semana, uma "Próxima semana" e outra "Depois". Gosto de tentar me planejar semanalmente, como o GTD indica, mas todo dia dou uma olhada e mudo o que acho melhor:


Uso as labels para indicar a "área" da minha vida em que aquilo impacta: Bem estar, Finanças, Estudo, Lazer, Social e Casa. Assim, consigo ter uma ideia se estou equilibrando meus papéis ou não.

Vou arquivando as cards conforme completo as ações, ou arrastando para outros dias quando não consigo cumprir. Como tenho só a noite livre, tento manter poucos itens por dia.

Também no Trello estão outras listas como Money, onde agrupo minhas despesas fixas e vou "movendo" conforme pago, e Wishlist, em que coloco o que quero comprar de acordo com a área (Beleza, Leitura etc).

Esses tópicos, porém, talvez devessem migrar para o Evernote - que também conheço há muito tempo. Lá eu organizo coisas mais eventuais em quatro cadernos diferentes:

- Referência (documentos, receitas, endereços e tudo o que consulto só de vez em quando)
- MBA (faço as anotações das aulas diretamente por lá)
- Meus textos (backup do que escrevo)
- Apartamento (listas de compras, despesas mensais etc. Compartilho com a minha roomate).

Sem segredo! Talvez com o tempo eu sinta necessidade de fragmentar o caderno de Referências, mas por enquanto está sendo suficiente essa estrutura mais simples.

Por fim, esse mês ganhei um calendário permanente da minha mãe e estou usando-o para anotar compromissos com datas.

That's all! Posso explicar com mais detalhes em um próximo post se acharem melhor, mas acho que já deu uma ideia. Compartilhem suas técnicas e dicas nos comentários também para todos aprimorarem seus sistemas :)
  • segunda-feira, setembro 05, 2016
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Imprevisibilidade


Pensei muito antes de começar este post. Não sei se acontecimentos pessoais ainda interessam a quem passa por aqui, mas de qualquer forma o blog continua sendo meu espaço e eu nunca me arrependi de dividir coisas com vocês. 2016 já me trouxe tantas mudanças que chega a ser assustador pensar que ainda não passamos do quinto mês. Resolvi, então, fazer uma breve lista dos últimos fatos...

Mudei para São Paulo. Depois de muito planejar, esperar e questionar, tomei a decisão de voltar a morar na cidade em que cresci. Dessa vez, porém, fui sozinha. E ainda estou me adaptando à rotina de todas as responsabilidades e delícias.

Fui assaltada - pois é. Logo durante o primeiro mês na capital, em meu primeiro happy hour com o pessoal do trabalho, fui abordada. Pediram meu celular (novo, sonho de consumo mesmo) e apenas isso, e chego a ser grata pela forma não violenta. O que é material a gente compra de novo.

Virei ruiva. Aos 20 anos, com um cabelo totalmente virgem, que nunca tinha visto uma única química. Tornei-me uma quase Weasley em um verdadeiro desapego, e sigo me questionando se continuo assim ou não.

Comecei um MBA. Eu estava querendo voltar a estudar, mas aspectos como dinheiro, distância de casa e curso não pareciam facilitar. Fiquei sabendo de um MBA em Marketing na USP, EAD, que agregaria muito à área em que eu trabalho. Mandei o currículo no dia seguinte, fui aceita e preciso adicionar mais isso à minha nova "fase" da vida. Por enquanto, estou gostando.

Perdi meu Freud. Ele estava há quase 16 anos com a gente, era como alguém da família mesmo. Vou mentir se disser que aceitei, só quem tem a oportunidade de amar e ser amado por uma criatura tão pura quanto um animal sabe a dor de perdê-lo. Agora ficou a imensa saudade que nunca vai passar e a certeza de que ele está em um lugar melhor, sem sofrimento...

E é isso, gente. Um post com coisas boas, mas uma notícia triste que tira a cor de todas as outras. Não estou preparada para escrever mais sobre, e espero que compreendam. Vamos, então, nessa roda-gigante de sabores que é a vida...

All we are is dust in the wind.

Oráculo


Como seria bom poder procurá-lo e ouvir um conselho direto. Consultá-lo para saber o que fazer a seguir, conhecer a resposta da pergunta que nos inquieta.

O Oráculo nos advertiria dos cuidados necessários, nos diria qual decisão tomar. E tiraria da nossa consciência o peso da escolha e das consequências. Toda uma vida orientada e preparada.

Mas para onde iria o crescimento que o livre-arbítrio nos traz, as dores, o aprendizado? Tenho a impressão de que Édipo não compartilharia dessa vontade...
  • quinta-feira, março 17, 2016
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